Gostaria de entender como um impressora 3D funciona? Esta videoaula apresenta os princípios de como uma impressora é constituída, suas partes e componentes, além de apresentar links para um aprofundamento no assunto!
Autor: Fillipe Vilar
Entrevista LABCEUs – Paulo Pajeh do Fala Livre
Vozes como instrumento de construção de memória, reivindicação, produção de conhecimento
A outra ocupação que ocorreu em São Félix do Xingu foi Vozes da Inclusão: Tecendo Redes no Xingu e com o Solimões, que durante quatro meses buscou identificar, através da comunicação, referências locais para criar espaços de reverberação dessas vozes como instrumento de construção de memória, reivindicação, produção de conhecimento e desenvolvimento colaborativo de ideias.
Pra realizar esse trabalho de mídia independente, que culminou com a instalação de um transmissor no CEU, os participantes foram apresentados a algumas ferramentas essenciais pra desenvolver ações em rádio: legislação sobre controle das ações policiais, princípios de jornalismo, instalação de transmissores, montagem de grade de programação e criação de blogs.
Ná rádio que funcionou no Centro de Artes e Esportes Unificados durante um mês, todos os dias, de segunda a sexta, os participantes organizaram a programação, realizaram entrevistas e mobilizaram a cidade para falar de temas de seu interesse. “As meninas botavam mesmo a boca no trombone. Eu nem me metia porque era o programa delas. Cada um ficava livre pra desenvolver”, conta o pesquisador de história da língua indígena, Gleison Martins, idealizador da ação que se desdobrou pra abranger o máximo do entorno do CEU ao longo do projeto.
Às sextas-feiras, um programão reunia os assuntos prediletos pra fechar a semana. “Futebol, música, religião… Era aberto. A programação acontecia dentro do que eles aprenderam sobre as leis de rádio difusão. Nada de proselitismo religioso, nem político, não pode ser racista, nem homofóbico. Ao mesmo tempo tinha a moçada que fazia evangélico, rock, brega, techno melody”, descreve Gleison.
Entrevista com Seu Viana, poeta da cidade:
O secretário de Cultura de São Félix do Xingu, Jamilson Pereira, conta que existe um anseio pra retomada do LabCEUs na cidade. “Pra nós foi um imenso prazer receber os projetos do LabCEUs. Com eles nós podemos fomentar a cultura local. O espaço também foi usado da melhor forma possível, uma vez que os instrutores movimentaram a biblioteca, o espaço multiuso, o anfiteatro, tudo simultaneamente. O vazio que o projeto deixou depois após ser concluso é demais, sentimos uma grande saudade”, conclui o gestor.
Transborda – Junto com Hugo, realizador do Microdocs, e o secretário de Cultura da cidade, Jamilson Pereira, Gleison seguiu em uma expedição até a vila de Tabocas, a 100 km de São Félix, para apresentar aos jovens de lá a proposta das ocupações. A ideia era tentar fazer com que eles participassem também, já que se trata de uma região extremamente carente de opções de aprendizagem e lazer. Gleison explica que a precariedade no povoado recai sobre o uso de entorpecentes: “Na droga e no álcool eles encontram uma válvula de escape pra fugir do abandono e da violência da família”.
O custo pra esse deslocamento é alto, tanto pros jovens de Tabocas quanto pra gestão municipal, mas Gleison estava determinado a montar um esquema alternativo pra movimentar a vila. Tanto foi que o bolsista do LabCEUs passou a operar da seguinte maneira: durante a semana, trabalhava em São Félix, nos finais de semana, se deslocava pra distritos vizinhos, encarando aproximadamente 4 horas de carro.
Mesmo já tendo deixado São Félix, Gleison, morador de Tefé, continua acompanhando os grupos que se formaram por meio de aplicativos de mensagens, através da parca conexão de 1kpbs da operadora de telefonia móvel. “A gente fica acordado até tarde pra poder conversar porque de madrugada dá pra chegar a 1 mega”, relata.
O pesquisador conta da ansiedade dos jovens pra dar continuidade às discussões, com o material de referência que deixaram por lá: “Fica todo mundo querendo trabalhar, ler o material que deixaram na escola. As aulas não começaram ainda. Liguei antes de ontem e tinham se reunido pra discutir como fariam a rádio poste, mas a logística de mandar equipamento pra la é muito difícil, vamos aguardar”.
Parece não haver distância que esmoreça a energia de Gleison. Morador da cidade de Tefé, ele planeja voltar pra São Félix pra dar continuidade ao trabalho realizado com a juventude de lá.
As entrevistas realizadas na rádio do CEU através da ocupação Vozes da Inclusão estão compiladas no https://soundcloud.com/zein-5. Os relatos do que aconteceu ao longo do projeto estão reunidos no http://culturadigital.br/vozdailha.
Da modelagem 3D à colaboração
Ocupação em Sertãozinho estimula jovens a criarem e compartilharem suas experiências
Por Maíra Brandão
Pros mais tradicionais, provavelmente a ideia de juntar crianças num laboratório não seja muito atraente. “Vai dar errado”, podem alertar sobre a inexperiência dos pequenos para conduzir qualquer experimento. “Vai quebrar”, devem comentar, no cuidado pelos dispositivos eletrônicos e outros artefatos que estejam à mão. Mas o que aconteceu no laboratório multimídia do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) de Sertãozinho, em São Paulo, foi bem diferente.
Essa história com os desenvolvedores mirins começou quando a educadora Katharine Diniz teve seu projeto “Criando Personagens 3D em Softwares e Hardwares Livres” aprovado pelo LabCEUs, para acontecer durante dois meses na cidade paulista. Em abril, ela, que já vinha discutindo ações de extensão universitária relacionadas ao fomento de “territórios de desenvolvimento e colaboração”, deu início à ativação do espaço.
Como propõe o programa Laboratórios de Cidades Sensitivas, Katharine chegou em Sertãozinho com sua proposta de transformação do ambiente. “Geralmente nos cursos as pessoas recebem conteúdos, aulas, e a gente tava interessado em propor que as pessoas desenvolvessem coisas, fosse audiovisual, fosse modelagem, e eu cheguei com essa coisa do 3D”, conta a comunicadora.
O sistema aplicado desencadeou um processo de colaboração e desenvolvimento de projetos que supreendeu a todos. “Acho que os processos os inspiraram a ter coragem de mobilizar pessoas para resolver um desafio coletivamente. De expor o próprio projeto (o que é bem raro de se ver, não é mesmo?!) e discursar (com muita eloquência, inclusive) sobre erros, tentativas, indagações e piadas que surgem enquanto cada um se entrega a ele. De reconhecer o outro como possível parceiro, de respeitar suas ideias. Para mim, essas atitudes são fundamentais para qualquer articulação comunitária”, diz Katharine.
Katharine destaca a autonomia que deu para cada participante desenvolver a atividade que mais interessava no contexto dos encontros. “Acho que o que foi marcante nesse processo é que cada um tinha um interesse bem diferente. Mesmo que eu começasse com uma proposta, tipo, história em quadrinhos, cada um tem um quadro de referências completamente diferente e eu não segurava eles pra desenvolver uma história em quadrinhos. Um queria pintar, o outro queria desenhar à mão, outro queria escrever a história, então cada um tinha o seu projeto e quando eu via que surgia uma dúvida, eu abria essa dúvida pra todo mundo”, explica.
Uma das participantes da ocupação, a estudante Alessandra Alves Valério, de 14 anos, conta que gostou muito do formato. “Foi muito legal porque além de se conhecer, a gente tinha um ao outro, se ajudando. Então, quando um não sabia, o outro ia lá e ajudava. A Katharine também foi muito importante na estruturação, porque quando ela via que alguém tinha problema, incentivava o outro a ajudar, e depois já virou costume e todo mundo se ajudava mesmo”, falou.
Do ponto de vista técnico, os participantes da ocupação aprenderam princípios de animação 3D, como edição de imagens, modelagens, escultura digital, entre outros, justamente a parte da qual Alessandra fala com mais entusiasmo. “É muito legal ver que o seu trabalho deu certo, articulando, mexendo braços, essas coisas. Eu já fiz uma animação em vídeo. Foi muito legal a experiência porque você vê todo o processo da animação, desde o começo”, explica a adolescente.
Em seu projeto de mestrado, Katharine defende que pessoas de 10 anos são capazes de criar conhecimento. Apesar de não focar nesse ponto quando deu início ao projeto, a educadora teve a oportunidade de experimentar, na prática, a sua teoria, já que seu público teve idade entre 10 e 15 anos. “Está provado que essas pessoas são completamente capazes de criar muitas coisas. Eles são capazes de desenvolver projetos e criar discursos sobre o que eles estão produzindo. Escrever e falar sobre isso. Filmei muitos momentos de como eles fizeram, o que aconteceu, o que aconteceu diferente do planejado… Eles são artistas, é algo muito maior”, comenta.
Katharine conta muito dessa vivência da ocupação em seu blog http://culturadigital.br/personagens3d, e traz ricas contribuições para o debate sobre o formato das ocupações. Em seu último post, ela reflete: “Ocupar não é só dar curso, oficina ou capacitação. É como cultivar uma horta. E, por incrível que pareça, é jogar lenha na fogueira também, questionando. É inspirar à experimentação, seja do que for. Assim, ocupei por alguns meses, mas o propósito disso é provocar os participantes a pisar em qualquer território com postura e respeito de ocupador também. E, no caso do CEU de Sertãozinho, a transformarem aquele espaço, continuamente, por vários anos. É propor desafios de percepção que os instiguem a enxergar cada vez mais potencialidades nesse “mangue de desenvolvimento”. E para cuidarem dele, para que esse ninho (o LabCEU) continue cheio de vida e de morte”.
Para o gestor do CEU, Acácio Tobias, a realização das ocupações (em Sertãozinho, além da iniciativa de Katharine, o LabCEUs apoiou o projeto Comunidade Transforma, focado no audiovisual) trouxe novas perspectivas para os jovens da comunidade. “Como em muitos outros lugares do Brasil, o CEU está num bairro de periferia, então as crianças nem imaginavam as possibilidades do computador em si. Conhecemos tecnologias novas, que nunca tinham chegado na cidade, como a impressora 3D. Daí eles começam a olhar o computador não só como uma ferramenta pra entrar na rede social e ver email, eles começam a ter um horizonte maior. Quando a gente consegue expandir a mente de uma criança, isso não tem preço”, avalia.
A ocupação Criando Personagens 3D em Softwares e Hardwares Livres termina, mas deixa a semente da criatividade e da autonomia nos jovens que dela participaram. Katharine em breve deverá estar de volta com seus processos experimentais ao CEU de Sertãozinho, já que sua proposta “Criando Jogos Livres em (com) Comunidade(s)” foi pré-selecionada na segunda chamada pública do LabCEUs. O resultado final do processo seletivo deverá ser divulgado na próxima semana.













