A Revista

A REVISTA

porque a transformação não é só estética

Pense em uma cidade. Assim, de maneira ampla mesmo. Agora adentre em cada detalhe visível e invisível desse território: ruas, vielas, prédios, praças, pessoas, espectros, barulhos, silêncios, sentidos, influências, energias, dispositivos, relações, signos, sinais, fluxos, sistemas – hídricos, elétricos, viários, capitais, culturais, humanos, urbanos. Ainda que listadas fartamente, são apenas poucas das tantas peças que compõem esse quebra-cabeça chamado cidade.

 

Diante deste organismo complexo de pessoas, máquinas e naturezas, que insiste em acinzentar o que o olho alcança e acelerar o corpo e a mente – sem, contudo, conseguir turvar o olhar – é que nos deparamos com a ideia de refletir, experimentar, documentar e incentivar a discussão do espaço público como lugar de expressão, de aprendizagem e de reconhecimento de dinâmicas sociais.

 

O sentido de Cidades Sensitivas prioriza a realidade aumentada do sentir e a fenomenologia das sensações, que busca enfatizar um Brasil agregador de culturas ancestrais, corporais e antropofágicas. Este sentido não conjectura com os modelos baseados em cidades inteligentes (smart cities) ou mesmo cidades sencientes (sentient cities).

 

Cidades Sensitivas, em contraposição a essas terminologias, visa principalmente dialogar com as questões subjetivas que estas vêm propondo à sociedade: O que as novas tecnologias significam para a cultura urbana e que impacto isso tem sobre como podemos moldar nossas identidades e nosso cotidiano?  Para além de uma mudança na filosofia da técnica, é também um ponto de vista prático para realização de mudanças sociais.

 

A questão qual cidade queremos? não está separada dos laços sociais, da natureza, das tecnologias, dos valores éticos e estéticos que desejamos. Nessa questão, percebe-se que modelos colaborativos associados ao desenvolvimento de tecnologias emergentes são ferramentas fundamentais para o enriquecimento cognitivo. O direito à cidade vai além da liberdade individual de acessar os recursos urbanos: trata-se do direito de transformar a si mesmos na transformação da cidade.

 

Nesta busca incessante e inerente de seres humanos que somos, se fez a Revista Cidades Sensitivas. Aqui a gente procura difundir iniciativas que promovam a cidadania por meio do urbanismo emergente, da inovação tecnológica e das interações sociais através da ativação de espaços de criatividade cidadã e de produção social, com o objetivo de potencializar os espaços públicos como locais de convivência catalisadora de ações culturais, econômicas, científicas e sociais.